quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Ilha no Araguaia



"Vi dentro deste lago a mais mimosa ilha que até hoje tenho visto, a qual realiza essas descrições fantásticas feitas pelos poetas: figure o leitor um tabuleiro abaulado de uma polegada, e todo cheio de florinhas brancas; suponha orlando isto uma cinta elevada de juncos; em torno desta cinta, uma fileira de patos, marrecões, marrecas, marrequinhas, garças e frangos-d´água; suponha tudo isto elevando-se apenas dois palmos da superfície calma e verde das águas do lago e alumiado pelo clarão melancólico de uma tarde do Araguaia e terá, mais ou menos ideia desse encantado pedaço de terra, que a Natureza aí formou com tanta graça que desesperaria o artista que a quisesse imitar". J. V. Couto de Magalhães (1837-1898). Viagem ao Araguaia. 1975, p. 125.
 
 
 
 
Marrecão - Patos - Marrecas.
Ilustração de Ernst Lohse (1873-1930).
Álbum de Aves Amazônicas de Emílio A. Goeldi (1859-1917). 1900-1906.

 

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Viajantes: Orquídeas



"Inúmeras são as formas de plantas sarmentosas de hastes retas ou serpentiformes, de gravatás, de aruns, de fetos e de magníficas orquídeas, que cobrem os altos troncos nos lugares úmidos.
Tais formas fantásticas, muitas vezes enganadoras excitam a imaginação do viajante, e, não raro, incutem um sentimento de medo, para o qual predispõe o tétrico silêncio das matas.
Do efeito que produzia a influência constante dessa temerosa solidão sobre a alma humana, deram provas nossos guias índios. Caminhavam à nossa frente, com passos curtos, apressados e pareciam ter todos os sentidos absorvidos no silêncio do ambiente". J. B. von Spix (1781-1826) & C. Fr. von Martius (1794-1868). Através da Bahia. 1938, p. 188.
 
 
 
Orquídeas
F. C. Hoehne. Álbum de orchidáceas brasileiras e o
Orchidário do Estado de São Paulo. 1930.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Viajantes: Paxiúba-barriguda



"Próximo a um córrego que cruzava a estrada, numa grota, avistei um grupo das curiosas palmeiras denominadas paxiúbas-barrigudas. Trata-se de uma bela árvore alta e delgada, tendo na copa umas elegantes folhas de extremidades espiraladas. [...]. Mas a característica mais marcante desta planta, a que lhe dá o nome, é a "barriga" que surge no seu tronco à meia altura, fazendo com que sua largura duplique ou quase triplique. Abaixo e acima dessa protuberância, o tronco é inteiramente liso e cilíndrico. Só depois de constatar a existência dessa extravagante conformação em todas as árvores desta espécie é que a gente adquire a certeza de que aquela inchação não se trata de uma anomalia rara, mas sim de uma característica geral da Iriartea ventricosa conforme foi denominada por Martius". Alfred Russel Wallace (1823-1913). Viagens pelos rios Amazonas e Negro. 1979, p. 183.
 
 
 
Cachoeirinha de Cupati; no primeiro plano, uma paxiúba-barriguda.
 (C. Fr. von Martius. Genera et species palmarium).
 

domingo, 25 de agosto de 2013

Belém do Grão-Pará: Serviço de Bondes no início do Século XX


"As ruas de Belém são admiravelmente servidas por um excelente serviço de bondes, ou carris urbanos, inaugurado em 1905 pela Pará Electric Railway and Ligthing Company, que possui 13 linhas em operação, com as estações iniciais localizadas na Praça da Independência e no Largo de Nazaré. Juntamente com os serviços análogos de Manaus, Rio de Janeiro e São Paulo, este é dos melhores do Brasil sendo de notar-se que os seus veículos são superiores ao material usado nas grandes metrópoles do Sul, aliás já muito bons. Esses bondes, muito cômodos, se dividem em várias categorias: abertos, fechados, abertos para bagagem, bondes de luxo (que não têm equivalente na Europa), para locação a particulares ou para uso por sociedades em determinadas circunstâncias". Paul Walle [1872-?]. No Brasil, do rio São Francisco ao Amazonas. 2006, p. 306.
 
 
 
Serviço de Bondes, em Belém no início do Século XX.
O Município de Belém. 1906.

sábado, 24 de agosto de 2013

Girassol





Não, o coração que amou de fato jamais esquece,
Mas continua amando até o fim,
Como o girassol volta para o seu deus, quando ele se põe,
O mesmo olhar que lhe dirigiu quando ele nasceu.
 
Thomas Moore (1779-1852)
A linguagem das flores, 1989
 
 
 
O jardim do artista em Vétheuil.
Pintura de Claude Monet (1840-1926)
A linguagem das flores, 1989.


sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Vocabulário Controlado


O objetivo de um Vocabulário Controlado é padronizar e controlar a terminologia a ser utilizada no processo de análise dos documentos, permitindo assim, adequada indexação e consequentemente um nível satisfatório de exatidão na recuperação das informações contidas nos documentos analisados.
Com esse objetivo estou elaborando os Vocabulários Controlados nas áreas de especialidade do Museu Goeldi, iniciando com fauna e flora.
 
O Vocabulário Controlado de Frutas Comestíveis na Amazônia já está publicado  na página do Repositório Institucional do Museu Goeldi.

repositorio.museu-goeldi.br/jspui/handle/123456789/338

 
 
 

O Vocabulário Controlado de Madeiras na Amazônia está em fase final de correção, e em breve também será publicado on-line na página Repositório Institucional do Museu Goeldi.
 
repositorio.museu-goeldi.br/jspui
 
 
 
 
 
Os Vocabulários Controlados possuem também citações de viajantes e naturalistas que percorreram a região amazônica em séculos passados. 
 
 


quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Pica-pau


"Ali estive inteiramente ocupado na procura de espécimes de passarinhos, aproveitando para familiarizar-me mais a fundo com seus hábitos. Os mais numerosos, tanto em espécies quanto em indivíduos, eram os pica-paus. Já tive ocasião de referir-me ao seu curioso trinado em escala descendente, mas não ao fato de que cada um desses pássaros possui uma pequena peculiaridade em seu canto que o distingue entre os demais. Os pica-paus escondem-se geralmente nas moitas mais compactas e impenetráveis, as quais é impossível enxerga-los. [...].
Esses pássaros tem penas longas, sedosas e soltas, elegantemente raiadas ou pintalgadas de preto e branco. Ficam constantemente dando pulinhos por entre as moitas e tufos, à cata de qualquer inseto que por ali passe". Alfred Russel Wallace. Viagens pelos rios Amazonas e Negro. 1979, p. 63.



Desenho de Ernst Lohse (1873-1930)
Álbum de Aves Amazônicas de Emílio A. Goeldi . 1900-1906.

 

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Rocinha


"Quando se sai das ruas pacatas do Pará, nas quais, por causa do calor equatorial, se evitam todo o movimento e esforço desnecessário, para o campo, para a chamada "rocinha", encontra-se aí quase tudo transformado num vasto parque. Maravilhosas aléias cruzam-se em ângulos, orlados de terminálias, cujos ramos, sobrepondo-se em camadas, dão uma sombra refrigerante, ou de eriodendros, cujos troncos gigantescos, não obstante muitos parecerem seculares, estão ainda na idade infantil. [...]". Robert Avé-Lallemant (1812-1884). Viagem pelo norte do Brasil no ano de 1859. 1961, v, 2, p. 28.
 
 
 
 
Rocinha.
Paul Marcoy (1815-1888). Le tour de monde.
 Desenho de E. Riou
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

ROCINHA -  Casa campestre, nos arredores da cidade. O Pará notabilizou-se pelas esplêndidas rocinhas. (A. Mendes. Vocabulário amazônico. 1942, p. 84).
Para Leandro Tocantins. O rio comanda a vida. 1973, p. 61,  "a palavra rocinha é uma típica criação do paraense, diminutivo de roça. [...]. É interessante assinalar que o termo rocinha só foi empregado em Belém, pois no interior amazônico, naquele tempo e até agora, chama-se de sítio a pequena propriedade rural. A antiga rocinha de Belém corresponde bem à ideia das quintas de Portugal".

domingo, 18 de agosto de 2013

Não mais passearemos.





Então, não mais passearemos
Assim tão tarde, pela noite afora,
Embora o coração ainda esteja apaixonado
E a lua continue a brilhar.
 
Pois a espada dura mais que a bainha,
A alma consome o peito,
O coração precisa tomar fôlego
E o amor, descansar.
 
A noite foi feita para amar
E o dia volta cedo demais,
Contudo, não mais passaremos
À luz do luar.
 
 
Lord Byron (1788-1824)
 
 
 
Pintura de Frank Bernard Dicksee (1853-1928)
A linguagem do amor, 1988.

 


sábado, 17 de agosto de 2013

Araras




"[...]. Vimos aí, pela primeira vez em estado selvagem, as magníficas araras [...], um dos maiores ornamentos das florestas brasileiras; ouvimo-lhes os gritos altos e estridentes e as admiramos a esvoaçar esplêndidas, por sobre as cimas das altaneiras sapucaias. Podíamos reconhecê-las à distância pelos rabos compridos, e a brilhante plumagem vermelha refulgia deslumbrante sob os raios do sol. Periquitos, maracanãs, maitacas, tiribas, curicas, camutangas, jandaias e outras espécies de papagaios voavam aos bandos, em algazarra, de uma margem a outra, enquanto o grande e majestoso pato almiscarado (Anas moschata, Linn.), pousava nos ramos de uma cecrópia, na orla da mata, à beira do rio [...]." Maximilian zu Wied-Neuwied (1782-1867). Viagem ao Brasil. 1958, p. 157.
 
 
 
 
 
 
Araras.
Viagem ao Brasil. Maximilian zu Wied-Neuwied.
  Brasilien Entdeckung und Selbstentdeckung. 1992.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Santarém - PA


"Ontem, muito cedo, chegamos a Santarém, e às sete horas e meia da manhã fomos dar um passeio em terra. A cidade se acha situada num pequeno promontório que separa as águas negras do Tapajós das amareladas do Amazonas. A paisagem é encantadora, realçada ainda por um fundo de colinas que se estendem ao longe para leste. Visitamos primeiro a igreja que faz frente para a praia. A porta estava aberta como para nos convidar a entrar." Luís Agassiz & Elisabeth Agassiz. Viagem ao Brasi 1865-1866. 2000, p. 340.
 
 
 
 
Santarém-PA  no século XIX
F. A. Biard. Dois anos no Brasil.
Ilustração de E. Riou.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Castanha-sapucaia


"Encontramos, nessas florestas sombrias, uma grande quantidade de árvores majestosas. O ipê achava-se carregado de grandes flores amarelo-vivo, e uma outra bignônia, de grandes flores brancas, crescia nos brejos. Bem acima das copas dos gigantes da mata, ergue-se a imponente sapucaia [...]; possui folhas pequenas e enormes frutos pendentes, em forma de pote, que abrem uma tampa perfeita e deixam cair as grandes sementes comestíveis. Os macacos, e sobretudo as grandes araras vermelhas e azuis (Psittacus macao e ararauna, Linn.) apreciam-nas muito. É bastante difícil, sem as asas dos papagaios ou a agilidade para trepar dos macacos, colher os frutos dessa árvore, tão altos ficam; [...]". Maximilian zu Wied-Neuwied (1782-1867). Viagem ao Brasil. 2a. ed. v. 1, p. 83.
 
 
 
 
 
 
Castanha-sapucaia. Albert Eckout, 1640.
Brasilien Entdeckung und Selbstentdeckung. 1992.



domingo, 11 de agosto de 2013

Ninhal de guarás


"A ilha de mato que fica além, para trás do lago, é sede de verdadeira maravilha da natureza; ali, desde muitos anos, há um "ninhal", isto é, o lugar preferido por um sem número de aves do brejo e aquáticas para suas posturas anuais. Vale a pena o sacrifício de irmos ate lá por difíceis caminhos, porque o espetáculo a que vamos assistir nos permanecerá indelevelmente gravado na memória." Emílio A. Goeldi. Maravilhas da natureza na Ilha de Marajó (Rio Amazonas). Boletim do Museu Paraense de Historia Natural e Ethnographia, Belém, t. 3, n. 1-4, 1900-1902, p. 390.
 
 
 
Ninhal de guarás.
Ilustração de Ernst Lohse. Álbum de aves amazônicas de Emílio A. Goeldi. 1900-1906.
 
 
 
 



quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Victoria regia

 
 
"De todas as Ninfeáceas, a maior, a mais rica e a mais bela é a maravilhosa planta que foi dedicada à rainha da Inglaterra, e que traz o nome de Victoria regia. Habita as águas tranquilas das sombrias lagoas formadas pelo transbordamento do Amazonas e seus afluentes. Suas folhas medem de 15 a 18 pés de circunferência. A sua parte superior é de um verde escuro e vistoso; a parte inferior é de um vermelho escarlate, ornado de grandes veias salientes, formadas por câmaras cheias de ar, tendo as hastes cobertas com espinhos elásticos. As flores se erguem cerca de seis polegadas acima d´agua, e, quando inteiramente desenvolvidas, têm uma circunferência de três a quatro pés. As pétalas se abrem à noite; sua cor, a princípio de mais puro branco passa em 24 horas, pelas tonalidades sucessivas de um róseo leve até o mais brilhante vermelho.
Durante o primeiro dia da sua floração, as flores exalam um delicioso perfume, e, no fim do terceiro a flor murcha e mergulha novamente na água para amadurecer suas sementes. Quando maduras, essas sementes, ricas  em fécula, são colhidas pelos índios, que as assam e regalam-se com elas preparadas desse modo". Daniel P. Kidder(1815-1891) & J. C. Fletcher. [?]. O Brasil e os brasileiros. 1941. v. 2, p. 332-333.
 
 
 
 
Victoria regia. J. Hooker (1851)
The art of botanical illustration. 1995.
 
 

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O discípulo

"Quando Narciso morreu, o lago de seu prazer transformou-se de
receptáculo de águas doces em poço de lágrimas salgadas, e as Oréades vieram chorando pelo bosque cantar para o lago e dar-lhe conforto.
E quando viram que o lago havia se transformado de poço de águas doces em poço de lágrimas salgadas, soltaram as tranças verdes de seus cabelos, choraram pelo lago e disseram:
__Não nos admiramos de que chores desta maneira por Narciso, tão belo era ele.
__Mas Narciso era belo? - perguntou o lago.
__Quem saberia melhor que tu? - responderam as Oréades. - Por nós, ele sempre passava direto, mas tu ele procurava, e deitava-se às tuas margens e fitava-te, e no espelho de tuas águas admirava sua própria beleza.
E o lago respondeu:
__Mas eu amava Narciso porque, quando ele se deitava em minhas margens e olhava para mim, no espelho de seus olhos eu sempre via minha própria beleza refletida".

Oscar Wilde (1854-1900)
 
 
 
 
 
A linguagem do amor. 1988.
Pintura de Maxwell Armfield.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Oscar Wilde (1854-1900)
 
 
 


terça-feira, 6 de agosto de 2013

Viajantes: Açaí


"Às vezes uma palmeira muito esguia e clara subia por ali fora, em arranco de foguete, e ia espreitar a selva muito acima do ondeado em que terminava todo o arvoredo. E eram, então, quatro palmas solitárias lá no alto, como se quisessem fugir dos homens - dos homens que, apesar de tudo, lhes iam roubar o cacho saboroso, para dele extraírem o "açaí". Ferreira de Castro. A selva. In: OS RIOS e a floresta: Amazonas e Pará. 2a. edição. 1959, p. 272.
 
 
 
 
Açaí (Euterpe oleracea)
K. Fr. von Martius. Historia naturalis palmarum. 1823-1850.
 
 
 
 
 
Euterpe oleracea (detalhe)
K. Fr. von Martius. Historia naturalis palmarum. 1823-1850).

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Andorinhas



"As andorinhas são quanto ao corpo e ao espírito aves felizmente dotadas. Muitas delas mostram grande apego às habitações humanas e partilham com o camponês sob cujo teto moram, a singeleza do viver da roça e alegram, senão por um canto brilhante ao menos por um pipilar amável, um segredar aprazível em que se esmeram ou da beira do teto ou do vão de uma janela".
Emílio A. Goeldi. As aves do Brasil. 1894, p. 205.
 
 
 
Andorinhas
 Ilustração de Ernst Lohse (1873-1930).
 Álbum de Aves Amazônicas de Emílio A. Goeldi (1859-1917). 1900-1906.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Viajantes: Miriti


 
"As margens do baixo Amazonas apresentam imagens encantadoras de vegetação, especialmente no estreito canal de Taji-purú ou Tajá-purú, que separa a grande ilha Marajó da terra firme. É através dele que se chega propriamente ao Amazonas. A bela palmeira buriti, que eu já tinha conhecido no planalto de Mato Grosso, é chamada aqui miriti (Mauritia flexuosa) e se apresenta em grandes agrupamentos. Por todas as partes aparecem seus troncos brilhantes e retos, que atingem até 30 m de altura: são lisos, de cor cinzenta, destacando-se na escuridão misteriosa da selva. Os grandes leques da copa estremecem à leve brisa. [...]". Theodor Koch-Grünberg (1872-1924). Dois anos entre os indígenas: viagens no noroeste do Brasil. 2005, p. 25.
 
 
 
 
 
 
Palmeiras miriti (Mauritia flexuosa).
 Ilustração de Taunay. Expedição Langsdorff ao Brasil (1821-1829).